372.

APOTEOSE DO ABSURDO

Absurdemos a vida, de leste a oeste.




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Sempre quis uma máquina de escrever. Nunca soube muito o porquê desse meu desejo. Sei simplesmente que podia sonhar por horas e mais horas sobre como seria ter uma máquina de escrever somente minha, com todos aqueles botões, folhas e fitas. Inclusive encantava-me a idéia de poder escutar aquele ruidinho característico“tec telec telec tec, plim!” “tec telec telec tec, plim!” “tec telec telec tec, plim!”. Tudo tão pitoresco! Mas a verdade é que nunca pude ter uma máquina de escrever. Antes era o dinheiro. Depois, tudo tornou-se tão obsoleto que nem em museus se poderia encontrar tais peças. Mas o sonho infantil sempre persistiu em minha alma de uma forma ou de outra. Agora, com 23 anos, tendo acesso a todo tipo de tecnologia que qualquer reles possa ter, um teclado faz seu trabalho de máquina datilográfica e sinto-me como criança novamente. É claro que os ruidinhos mudaram, se não é que eles praticamente sumiram, o que me permite estar aqui digitando (quem diria!) altas horas da madrugada sem que ninguém possa se perturbar. E eu me pergunto: O que faço agora??



Ópio


Debaixo do luar
A matéria me parece mais leve
Com o peso da noite
Idéias clareiam-se em minha mente
E nada me parece tão impossível assim

Sou tudo, sou nada
Estou dispersa nesse sereno frio e úmido
Uma renovação da alma
Que ao menor sinal de luz solar
Se junta maltrapilha
E unida nada mais posso fazer além de esperar

Saio de casa incompleta
Atrelada à minha vida corpórea
Sorrio, mimosa
Mas a satisfação nunca chega

Quero ser céu e mar
Misturar-me ao horizonte
Perder-me os limites
E voltar a ser imensidão

O universo em mim...

Como serei feliz, limitada como estou
Se me foram mostrados os caminhos para a liberdade etérea?
Que tipo de tortura primária é essa
Onde o ver é ilimitado
Mas o fazer segue outros parâmetros?

Tento furar-me os olhos
Mas não posso
Covarde como sou
Faço de minha liberdade noturna,
Meu martírio, minha dor

Mas ainda assim continuo a viajar
Na esperança de que algum dia
Ultrapasse o limite desta realidade virtual
E permaneça etérea
Dispersa
E enfim, livre...

Can't sleep? Take this!



Para quê máquina do tempo,
Se deixo parte de minha alma gravada
Mesmo em palavras tortas,
Talvez pueris?
Quando escrevo, sinto-me real
Sou e isso basta

Enquanto esses vocábulos me fizerem sentido
Saberei que não me perdi,
Minha essência está intacta
Mesmo com tantos caminhos percorridos

Se puder encontrar fragmentos de mim
O costume não me tornará frígida
O frescor da dúvida, a alegria do início
Me lembrarão de uma esperança ainda venturosa
Para que siga caminhando sem nunca esquecer
"Caminhei, caí, caminhei
Se agora estou aqui, por que parar?
Continuo minha jornada
E veremos aonde este caminho me vai levar"

.....................à camaaaaaaaaaaa... yaaawn...!


O vício, sempre o vício. Quando acho que me livrei de tudo isso, uma onda de abstinência me ataca e se não faço de sua vontade, lei, aprisiono-me em um estado catatônico e absurdo. E aqui estou outra vez, escrevendo sandices e "tontices" em uma linda tarde de outono. Horário bastante atípico para uma pensadora(!) noturna. Claro que isso não significa que esteja mais consciente de meus atos... Sempre nesse estado de sonolência aonde a sapiência nada mais é que uma ilusão. E talvez não esteja tão enganada assim...

Mas nem sei para que escrevo. Simplesmente sigo essa estrada percorrida pela minha mente para ver a que lugar chego. Mesmo com as moléstias do corpo não consigo me desligar dos defeitos da alma. Não serão umas dores de cabeça e das costas que me farão esquecer a falta de objetividade de meus dias e o excesso de tranqüilidade maquiada que exibo. Gostaria de ter uma força de vulcão e botar para fora todo o mal-formado e desinteressante que guardo a tanto tempo. E que a caixinha de Pandora siga seu destino. O que não suporto é ter essa força latente, mas que nunca chega a eclodir.

Sempre "com muito potencial". Nisso se resume minha vida. Cansei do reino do "pode ser". Penso em arrumar as malas, mas percebo que não sei o que levar. Tampouco sei aonde isso tem começo ou fim. Abrigo-me numa casa sem teto nem paredes e ainda assim tento me convencer de que estou segura. Mas me contento, pois até onde a sabedoria humana vai, não conseguimos distinguir e nem garantir o seguro sobre o não-seguro.

E o sol bate em minha janela, esquentando minha face e mãos. Um mundo todo interior em chamas gélidas nada mais é que um simples emaranhado de partículas, individualmente não necessário para que tudo isso funcione da maneira mais perfeita que poderia. Sinto-me fútil e agora entendo porque o escuro me cai tão bem.

Meu vício, meu desassossego


Como a vida é engraçada... Em alguns dias, parece que toda aquela vontade de viver intensamente te domina a um ponto aonde não se pode nem controlar. É como se fosse seu último minuto de vida. Mas todo ying tem seu yang e por vezes me perco em pensamentos de porquês e para quês absurdos. É como se toda minha existência nunca tivesse tido sentido algum. Sei que isso deve ser algo comum, mas ainda não posso vê-lo como normal. Não é por causa de uma estatística que vamos mudar o conceito de felicidade. Todos sabemos o que é, embora nunca o sentimos. Talvez o que mais prejudica é essa busca pela perfeição. Nunca chegaremos a lugar algum se nosso objetivo é simplesmente inalcançável. Nem sei porque estou escrevendo isso.... simplesmente isso me veio a cabeça. Acho que tenho uma tendência para escrever coisas tristes e talvez até um pouco frívolas, mas nada me parece mais fácil que isso. É como se esse sentimento da "sofritude" fluísse dentro de mim. Na verdade, a algum tempo que eu não consigo escrever nada. É como se minha mente estivesse monotemática, e, mesmo quando não estou triste, só consigo pensar em desgraças para escrever. Tenho essa coisa dentro de mim. Vejo a beleza no macabro e obscuro. Hahahaha... Não tenho nem talento e nem disposição para ser uma serial killer e menos sado-maso. Só vejo uma força verdadeira no sofrimento. Não acho que as pessoas são completamente felizes. É muito mais fácil deixar o sentimento ruim tomar conta. Por que é assim? O porquê exatamente eu não sei e talvez nem queira saber. Porém, isso me leva a pensar que é sim um sentimento mais verdadeiro. Não existe cobranças para se ser triste, mas todos te cobram se não se é feliz. Quando te perguntam se está tudo bem, pode ter certeza que na verdade ninguém se importa como você realmente está. Só querem cumprir um protocolo. Coisa estranha essa humanidade, não é verdade? Se nem fazendo parte dela eu posso entender. Tampouco me entendo. Ha... usando um exemplo de minha professoara de física, se um ET viesse a terra e tentasse entender o que se passa aqui, ele ficaria louquinho... Não existe regra. E por que cargas d'água deveria existir? É... é muito mais fácil entender algo que segue um padrão. E sempre chego a mesma conclusão. O melhor é não tentar encontrar esse famigerado padrão... Deveríamos ser como os macacos. Viver o hoje e nada mais. Essa é a receita para a felicidade. Mas será que vale a pena? Na verdade, o que te conforta é a ignorância. É... acho que eu tinha alguma razão em dizer que o único sentimento verdadeiro é a melancolia. É admitir nossos defeitos e nossa incapacidade para mudá-los. Que coisa bizarra. Nem sei mais o que digo. Todas as minhas teorias vieram por água abaixo por elas mesmas. Não existe nenhuma teoria satisfatória para todos os casos e de que serve uma teoria aonde não se pode comprovar ou predizer nada? Pelo o que parece, a vida é algo muito maior do que qualquer coisa que nos possa passar pela cabeça. Já cansei de dar com a cara nas portas fechadas que insisto em perseguir. Não preciso bancar o ser pensante a todo momento. Quero aprender muito ainda antes que possa me pronunciar... Eu sei que nada disso é aproveitável, mas quem sabe algum dia eu possa ver como esse ponto de interrogação que me persegue não passava de uma neura idiota?


"Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!"

Mário Quintana



Pastor do monte, tão longe de mim com as tuas ovelhas
Que felicidade é essa que pareces ter — a tua ou a minha?
A paz que sinto quando te vejo, pertence-me, ou pertence-te?
Não, nem a ti nem a mim, pastor.
Pertence só à felicidade e à paz.
Nem tu a tens, porque não sabes que a tens.
Nem eu a tenho, porque sei que a tenho.
Ela é ela só, e cai sobre nós como o sol,
Que te bate nas costas e te aquece, e tu pensas noutra cousa indiferentemente,
E me bate na cara e me ofusca, e eu só penso no sol

Alberto Caeiro(F. Pessoa)

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.......Got it???